sábado, 16 de abril de 2016

Observatório.

Para lá da vidraça, o mar ao fundo. Do lado de dentro, cigarros e isqueiros sobre a mesa. Cada um pede um prato diferente para poder debicar o do outro. Ela, alta, com cabelos ruivos e frisados, as faces de quem gosta de rir, sobrancelhas de mulher minuciosa, que procura algum sentido para a vida, uma direcção, um significado, um gosto verdadeiro. Não o sentido único de que os fatigados, os resignados, se servem para não terem de lutar. 
Ele acende um cigarro, pousa o isqueiro, aspira uma grande baforada de tabaco, marca uma pausa, solta um sopro, fita-a nos olhos sem desviar o olhar. Deve estar com medo. Tenta permanecer mole, doce, sem varejar com os braços e as pernas, fazendo um tremendo esforço para permanecer aberto, disponível.

12 comentários:

  1. Jogo de sedução. :)

    Boa tarde, Impontual!

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    1. A sedução pode usar muitos cambiantes e ter objectivos diversos. :)

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    2. É um facto, Isabel. Tal como o medo.
      :)

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    3. Para marcar terreno no universo do medo, pode-se usar de sedução... Pode ser muito útil.

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    4. É um facto, Isabel. Tal como o medo.
      :)

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    5. Falamos do mesmo, ainda que com algum desacerto ao nível da pontualidade?

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    6. Isabel, tenho de pedir-lhe desculpas por ter repetido o comentário, sem querer. O que naturalmente induziu a sua contra-resposta. Claro que estamos falar do mesmo. Pontualmente. :)

      Boa noite.
      Abraço

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  2. Mas que "nerbos" que estes observatórios me fazem!
    Há muito que deixei de contribuir para esses peditórios inglórios.

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    1. Tem razão, Sanfra Louçano. Que desplante este o de olhar assim o coração é a alma alheia. Que desplante!

      Um bom fim de semana.
      Abraço

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