terça-feira, 8 de março de 2016

Farândola.

 © Robert Doisneau

Elas em coro, orgulhosas e reivindicativas. Corajosas, duras, responsáveis, eficazes, rápidas, sempre alerta, curiosas, abertas, aventureiras, atentas, livres. Cresceram. Desembaraçaram-se dos espartilhos das suas mães e das suas avós, dos seu atacadores, dos seus alfinetes, das suas tranças, dos seus coques, das suas reverências, dos seus aventais, da sua mão estendida. Mas não da sua cólera.
Eles, cobardes, egoístas, fugidios, vaidosos, aborrecidos, ausentes, indiferentes, fatigados, sempre fatigados. Ridículos com o seu grande carro, o seu telefone inteligente, a sua grande situação, a sua pequena mulher, a sua grande picha, os seus pequenos sucessos.

                                                                                                  ©Gianni Berdengo Gardin

O palco está aberto.

20 comentários:

  1. Bem conheço esta foto do Doisneau. :) Boa escolha!
    Como espectáculo, tudo bem. Felizmente a realidade é cada vez menos assim. Gosto muito dos "nossos homens", até porque cada vez os noto mais sensíveis e equilibrados.

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    1. Doisneau, porque hoje tive saudades das ruas de Paris. E porque gosto muito das "nossas mulheres".

      Bom dia.

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    2. Tens bom gosto. :)
      (Sobretudo no que respeita às mulheres!)

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  2. Victor Hugo dizia que o homem está colocado onde termina a terra e a mulher, onde começa o céu. Atualmente, estes limites sobrepõem-se, confundem-se, transfiguram-se. Eu gosto de pensar que o céu e a terra estão abertos a pessoas, mais do que a géneros. E que é possível criar o céu na terra ou a terra no céu. A escolha de cada um – homem ou mulher – ditará a sua colocação no universo das coisas.

    Constato que chego atrasada, portanto, totalmente imbuída do espírito deste blogue :)




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    1. Aqui chegará sempre a tempo, Miss Smile.
      Bem ssabe que "a vida não passa de uma oportunidade de encontro. E que teremos sempre a suprema manhã, não é verdade? :)

      Obrigado, por ter vindo.

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  3. Cara Impontual,
    Talvez se pisassem o palco em igualdade, como um só coro, trouxessem à cena mais... universalidade.
    Boa tarde,
    Outro Ente.

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    1. Não podia estar mais de acordo. O palco está aberto.

      Boa tarde,
      O Impontual

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  4. Tenho uma amiga que diz que para um homem há uma relação de inversamente proporcional entre o seu carro e o seu pénis :))

    Não fiz qualquer análise de dados, nem sequer estatística :)

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    1. Está a pensar em dar crédito teoria da proporcionalidade da sua amiga? :)

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  5. Belo post com belíssimas fotos. Quanto aos adjectivos que cabem a umas é a outros, diria que são uma provocação, caro Impontual! :)

    Boa noite :)

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    1. Claro Maria. Importa aprender a coexistir com a dualidade, não é? :)

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  7. Há muito tempo que uma publicação não me provocava um brilho de malícia no olhar:)
    Há delas, com aquele tempero difícil, vá! E, há deles inversamente proporcionais a sua "grandeza". Em bom rigor, neste cenário, o testo encaixa na perfeição na panela ;)
    E depois há as outras e os outros...

    Boa noite, Impontual.

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    1. Bem sabemos que os «outros» é um campo imenso; a perder de vista.
      Boa noite, Sandra Louçano

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  8. ao insistir-se tanto na diferença, está a fazer-se a diferença :)

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  9. Apesar de tudo, sempre vai havendo alguma partilha de adjetivos, de grandezas e de misérias.
    :)

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