segunda-feira, 18 de abril de 2016

Estado do tempo.

Hoje fui ao sol. E por lá estive até que este, cansado da sofreguidão da terra, se deixou tombar a poente, transformando o céu numa extensa faixa de carne viva sangrando lenta e distante no horizonte. Depois a noite resvalou agarrada à transparência do ar. Uma brisa ligeira levantou-se fazendo rumorejar as copas das árvores mais altas. Agora de regresso a casa e ao encontro da noite, olhos abertos à escuridão povoada de insectos e bichos cantantes, percebo que quando a tristeza junta os olhares de dois amantes é porque estão prestes a separar-se. Diz que amanhã regressa a chuva.

6 comentários:

  1. Mas que para todo começo há um fim! E sucessivamente...

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  2. Impontual, mas o que vem aí é do género
    https://www.youtube.com/watch?v=RSlnTUJ8JCo
    ... chove chuva, chove chuva sem parar?

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  3. Também há amantes que entristecem a cada separação e se alegram a cada reencontro, uma e outra vez.

    Beijos, Impontual :)

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    1. ... a eterna arte de reinventar a madrugada.
      (há um poema de Júlio Cortázar que espelha isso como ninguém)
      :)

      Abraço Maria

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