terça-feira, 19 de abril de 2016

Impeachment

É clorótica e borralheira, à imagem dos personagens de romances anglo-saxónicos. Está morta. Ninguém a matou e não nasceu morta. Foi morrendo devagar e estupidamente, como as flores. Bastaria uma única palavra, proferida por brincadeira, sussurrada por capricho para que se lhe detectasse um turbilhão no mar morto do seu interior: o deboche, a liberdade, o arrebatamento selvagem - tudo está ali, naquela palavra não dita.

4 comentários:

  1. E será que a palavra não dita, em tendo sido dita, teria feito mudar essa morte lenta?

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    1. GM, não sei se sei responder a isso. Mas, quando no turbilhão interior se aloja uma substância amorfa como um incómodo parasita, um veneno amargo que tem a cor opaca do vazio e a espessura remota do tédio e do medo, é preciso soltar uma palavra - nem que seja: puxa-me a tampa do sifão. :)

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    1. É sem dúvida uma bela expressão de morte - o silêncio.
      Abraço

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