segunda-feira, 4 de abril de 2016

Periscópio.

®Andrés Kertész

São autênticos experts nos meandros do coração. Reconhecem ao primeiro olhar o perdido que só se agarra à vida por uma rotina mecânica e um punhado de xanax. Topam à distância aquela que esgota o parceiro com amargas reivindicações, ou a espertalhona que o explora, sonsa e zombeteira. Conhecem o enervamento contido dos abandonados, as mentiras-refrão dos infiéis a falsa ligeireza dos apressados, a cobardia dos que não querem ver.
As vidas dos outros são para eles um campo de observação infinito onde os pormenores recolhidos permitem uma viagem dentro de si próprios, esclarecendo horas e infelicidades, mais eficazmente que um doutor de almas sobre os seus distúrbios. E isso é tanto verdade quanto o que lhes salta aos olhos, os irrita ou lhes retorce as entranhas como reflexo exacto das suas próprias falhas, defeitos ou sofrimentos que se obstinam a negar, a esconder e a pôr de lado. Desesperadamente.

7 comentários:

  1. Impontual, não haverá demasiadas pessoas a julgarem-se boas a opinar sobre a vida dos outros, quando não sabem resolver a própria?

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  2. "Pessoas normais falam sobre coisas
    Pessoas inteligentes falam sobre ideias
    Pessoas mesquinhas falam sobre pessoas"
    Platão

    Gosto muito de me lembrar disto.
    Boa noite, Impontual.

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    1. Perfeito, Teresa. O problema são as pessoas que conhecem pessoas que conhecem pessoas. Ou têm a mania que conhecem, vá lá.

      Boa tarde, agora.

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  3. ...gosto particularmente de periscópios que vêem para além da Alma.
    Beijo doce

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    1. Para isso é preciso um caleidoscópio. :)

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