domingo, 11 de setembro de 2016

Purga


Acontece sempre em Setembro. Apodera-se de si uma partícula de lucidez, uma mania, uma atitude compulsiva. Não é solidão. Embora tome consciência de que quer estar só. Nesta altura do ano gosta de se desmoronar peça a peça, de se desconstruir de dentro para fora, de se subtrair de componentes que já não funcionam mais. Assim, fragmentos de felicidade, alegria, prazer, vontades, desejos e esperanças vão sendo desarticulados um a um, sem tristezas, sem arrependimentos, sem hesitações, sem contemplações. É um acordo bilateral. De si para consigo. Depois, se a ideia do desejo continuar presente dentro de si, aceita a eventualidade da atracção, mas jamais para sofrer a tortura lancinante da falta, a comichão exasperante da privação. Acontece sempre em Setembro. Este Setembro vai excepcionalmente quente.

18 comentários:

  1. Respostas
    1. Tem informações precisas sobre o estado do tempo para os próximos dias, Tétisq?

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    2. Bom, para geminar.
      Não percebo porque se dobram os comentários, se calhar é do tempo, peço desculpa.

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    3. Bom, para geminar.
      Não percebo porque se dobram os comentários, se calhar é do tempo, peço desculpa.

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  2. Para mim Setembro é, normalmente, um mês de "sofrimento".
    Este ano... é como dizes: está a ser um mês quente e por isso o meu sofrimento está (por mais alguns dias) adiado.

    Beijinhos com sol
    (^^)

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    1. Caramba, Afrodite. Uma dança da chuva!

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    2. Caramba digo eu... não quero chuva!

      (há pouco esqueci-me de te dizer que a foto está perfeita para definir o que sinto em Setembro: esse abandono de fim de estação que me faz regressar às memórias dos Verões de adolescente na Póvoa de Varzim)

      :)

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  3. Respostas
    1. Depende do estado do tempo, Ana. Hoje está uma bruma mansa e delicada...

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  4. Impontual, gosto muitíssimo deste teu texto... e olho que é raro eu dizer "muitíssimo".
    O mesmo não digo do novo ciclo que aí vem.

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