quarta-feira, 16 de novembro de 2016

«A rapariga no comboio»

Numa mão o café num copo plástico, na outra um croissant do qual mordisca apenas a ponta. Retira um brinco, atende o telefone. Um par de pernas cruzadas, sapatos de couro falso trançado e meias pretas mal esticadas, passajadas. Uma imagem a preto e branco que cheira a miséria e a esforço, a pequenos esquemas e a uns euros duros de ganhar, a coração que se aperta e a sonhos que se fazem esperar. Mirou-me com um olhar agudo. Tentei sorri-lhe. Não consegui o esboço. Éramos os únicos ocupantes da carruagem.

8 comentários:

  1. Se fosse como nas películas a preto a branco, ela pegaria num cigarro... e tu esticarias, solícito, o braço para lho acenderes. Decerto seria ela a esboçar o tal sorriso que ficou por aparecer.

    Beijinhos sem fumo
    (^^)

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    1. Não teria um isqueiro à mão, certamente. :)

      Beijo

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  2. talvez um sorriso fosse tudo o que ela precisasse, no momento

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  3. Talvez do sorriso nem o esboço, mas talvez da tentativa tenha resultado obra acabada e inteira - e, se notada, faz o mesmo que o não frustrado esboço ;)) E as mulheres são boas nisso, em vislumbrar tentativas frustradas, mais ainda quando as vestem com o dia...

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    1. Sim, as mulheres são realmente boas.
      Mas...um esboço na gaveta raramente chega a obra-prima.
      :)

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    2. E interessará aqui falar do que não é raro?
      ;)

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