quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Eutanásia

Pode ser um instante. O fim do sofrimento. Uma réstia de dignidade. O derradeiro êxtase num momento de esplendor luminoso, como deve sentir um homem que salta da ponta de uma falésia indo cair sobre rochas longínquas, almofadadas. Ou como um criminoso, atirado para a eternidade pelo empurrão do carrasco, voando sobre o silêncio da multidão vendo tudo, compreendendo tudo, uma luz intensa, um ar calmo, depois o vento a quebrar as ondas sobre a cabeça, a luz aumentando, o corpo a pairar, lá em cima, e a zumbir de dormência. O espírito passeando-se em grandes latitudes. A vida trespassada pelo morno de um último arrepio. Uma hesitação. Uma recusa em voltar. Um renovado calafrio a cristalizar o momento final. O descanso eterno.

Mas... não sei. Tenho dúvidas. Muitas dúvidas. Decidi vós. Decidi bem.

24 comentários:

  1. Apesar das dúvidas, sou a favor.
    Bom dia, Impontual!
    (Há um pedaço de sol aqui à espreita.)

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    1. Boa tarde, Isabel.
      Com muita pena minha não pude agarrar esse pedaço de sol.

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  2. Imensas dúvidas. Tendencialmente contra.

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  3. Sabes, eu trabalhei com pessoas que sofreram graves acidentes, aqui, em Inglaterra. Não comem como nós, precisam de máquinas para respirar, não se movem, não falam, mas o pior é que percebem tudo à sua volta, eu entro em desespero só de imaginar a dor que sentem. Pessoas que podem viver anos e anos assim. Se fosse eu, escolheria morrer.

    Bom dia, I. :)

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    1. O sofrimento consciente deve ser algo aterrador.

      Boa tarde, querida Alaska.

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  4. Escolheria morrer. Definitivamente.

    Beijo, Impontual :)

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    1. Maria, neste assunto nada me parece definitivo.

      Abraço.

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  5. só muito raramente a favor.

    tarde boa, Impontual

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    1. Boa tarde, Laura.
      O meu dilema é maior: raramente sou a favor, raramente sou contra.

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  6. Não me alongo, em casos pontuais a favor, contra na maioria.

    Cada caso um caso sempre.

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  7. Nenhuma dúvida, totalmente a favor. Morrer com dignidade e família por perto, em condições de ainda me despedir deles e se lembrarem de mim como um ser humano capaz. Como estou doente, penso muito nisto. Também penso em viver, felizmente, mas apenas até ao limite da minha dignidade.
    ~CC~

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    1. CC, o caminho certo parece ser o de pensar sempre em viver. No entanto...

      Desejo-lhe as melhoras
      Um abraço.

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  8. Em tempo e sobre esta matéria, já teci a minha opinião a favor. Por muito que nos custe, está na hora de os deixar decido em por termo ao sofrimento acompanhado de perdas de dignidade física e emocional. É hora de portos de lado o nosso egoísmo, por muito que nos custe.
    Boa semana, Impontual.

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    1. Querida Sandra Louçano, percebo perfeitamente a tua opinião. E estou de acordo em grande parte. No entanto não creio tratar-se de egoísmo, mas sim de impreparação de parte a parte.

      Abraço

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  9. Não será o direito à morte o último reduto da dignidade humana?
    O problema moral da eutanásia é que as pessoas tendem a ponderar do assunto a partir do seu próprio ponto de vista (o que fariam elas), quando o que está em causa é dar aos outros a liberdade de escolher o que querem fazer.

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    1. Capitã Cuca,
      O ideal era, como diz Vergílio, "vir a morte e levar-nos. E não fazermos falta a ninguém. Nem a nós. Que outra vida mais perfeita?.

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  10. É um tema muito sensível e que deve ser convenientemente analisado!
    Beijinhos,
    http://chicana.blogs.sapo.pt/

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  11. e quantas vezes, pergunto-me, a pessoa não deseja (e pede para) morrer, apenas e tão só, porque não há quem lhe tire as dores ou pensa que não é possível melhorar? vi, com a doença do meu pai, o quão importantes - tanto! - são os Cuidados Paliativos e quem neles trabalha. de igual forma, entendo o desejo de quem escolhe não sofrer mais.
    mas temo (tal como na legalização do aborto), que se use a forma mais barata/simples de resolver o problema. não é que ela não deva existir, é antes o aproveitamento perverso que o sistema faz destas medidas.
    não haverá tema mais pessoal, íntimo e profundo do que este. não é o suicídio que me assusta, é o assassinato.
    haja bom-senso e sensibilidade, não se dicotomizem posições, muito menos se politizem. não peço mais. opinião formada, também não tenho. muito menos, vincada.

    abraço.

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    1. Partilho afincadamente desta visão sobre a matéria. Até nos receios pelo rumo que ela pode tomar.

      Obrigado por ter vindo, Flor.

      Abraço.

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