quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Moonlight - Sonata para piano n.º 14, Op. 27 n.º 2

Entra e senta-se ao balcão. Encomenda um Bourbon com 15 anos de idade. O que espera naquele bar sem nome? Cheiro, algo de desconhecido, uma vontade infinita de estranho. O seu desejo da manhã não a deixou. Pelo contrário. Todo o dia, a lancinante injunção, instilou-lhe urros na pele, os lábios corolas do sexo molharam-se repetidas vezes por um clarão, uma imagem rememorada, monstro enroscado no seu corpo que reclama e exige. Cada veia, cada artéria soletra: fruição, prazer, caricia, pele, vai-e-vem...o sexo que hesita, joga, aflora o clitóris antes de penetrar. Ela pensa penetrar e olha em redor: castiçais, garrafas, copos esguios, o que pode brincar à entrada de um corpo? O ideal, um homem invisível que roçasse e se aproximasse sem ela saber e depois arregaçasse os tecidos e as rendas, tomasse, rasgasse, um homem sem rosto, mudo... e que se sumisse. Acto continuo. Incógnito. Uma sombra.
Paga a conta e vai-se embora. Avança sóbria de presente, ancas a ondular sobre o único palco onde se joga o bailado de uma vida. Frágil entre frágeis. 
Na rua, a lua de sempre, o acaso dos transeuntes.

3 comentários:

  1. Serão isso efeitos secundários, Impontual?
    Ontem houve um Luar misteriosamente feiticeiro que deixou muita gente adoentada.

    Se quiser ver uma bela mulher ruiva, aquela dos seus sonhos, poderá ir ao meu cantinho. Fique à vontade... :)

    Boa noite, Impontual.

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  2. Passo para te desejar que te encontres bem :))

    Hoje:- Primavera impetuosa...
    .
    Bjos
    Votos de uma óptima Sexta - Feira

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  3. O acaso falha-nos tantas vezes... só se duvida se será falta de pontaria ou é mesma a intenção que é certeira. Depois há dias em que dá-se o caso de se acordar assim, com o luar debaixo da pele sem que a noite venha para a levar ao céu e desentranhar-se da pele.
    A fragilidade é (também) a nossa dependência do caos.
    Bom dia, sr Impontual

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