quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Quem dera que o amor fosse como o sexo

O amor não devia atender a nada mais do que o amor. Como acontece no sexo.
Caso não lhe seja conspurcado pelas condições do homem civilizado, o prazer físico entre um homem e uma mulher pode atingir o êxtase. O sexo tem esse poder; o de superar a confusão com os limites nas relações pessoais. Já os que se atrevem a molhar os pés apenas no rio que traz as águas do amor perdem algo de fundamental. As suas associações vão-se tornando meros negócios, investimentos especulativos neste e naquele particular, não é de surpreender que tais ligações se afundem no ciúme.
A partir do momento em que amor é moeda de troca transforma-se num instrumento de repressão e controlo. Promessas de felicidade, fidelidade e sacrifício e que parecem sagradas, não passam de egoístas demonstrações de posse, fraudulentas, despidas de pureza - como a sexual -, enganadoras a nível individual e social. A prova é visível: todos os pares por mais felizes que seja no começo, acabam mais tarde ou mais cedo por odiarem tudo isso e por se atormentarem.
Tende juízo senhores de sotainaQuem dera que o amor fosse como o sexo.

27 comentários:

  1. O sentimento de posse é talvez um dos grandes males da humanidade...
    ...sobretudo quando se aplica a outro ser humano...
    ...mas, claro, não só!

    Abraço

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    1. ... e sotaina, para colocar "água na fervura", manda-os ter uma vida em continência. Incitando-os a abster-se do acto da mais pura união - o sexo. :))

      Abraço, caro Gil

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  2. Perguntas, estas para já:
    1) o que é o ciúme?
    2) existe algo que não seja moeda de troca?
    3) existe amor incondicional em qualquer forma de expressão do sentimento?

    Bom dia, Impontual.

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    1. Bom dia, Isabel.
      1) é o elo mais fraco da cadeia do amor
      2) Existe, se afastarmos o delírio da posse - no sexo estamos mais longe desse delírio.
      3) Em qualquer forma de expressão apenas a necessidade é incondicional.

      Como vai?

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  3. Já quis ter uma pessoa só para mim, sabes, I. Confesso. Tamanha era a minha paixão, ou obsessão. Não sei que nome lhe dar. Agora brinco e digo que só preciso de uma pessoa a meio tempo. :) Entro em desatino só de pensar que alguém irá permanecer no mesmo espaço que eu durante um tempo que me parece interminável. E falo de horas. Preciso muito da minha solidão.

    Um abraço, I. :)

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    1. Está a falar-me do luxo que é poder sofrer sem ter ninguém a observar ou sobre o amor incondicional não caber em lado nenhum?

      Querida Alaska, quer que a leve a casa?

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    2. Não sei se cabe ou não. Tudo o que sei é que ainda não aprendi a amar assim. Incondicionalmente.

      Quero, sim. Mas terá o I. paciência? Eu paro em tudo que é lugar só para fotografar pequenos pormenores. :)

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    3. Querida Alaska. Paciência é unicamente o que lhe posso prometer.

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  4. Será, senhor Impontual, que aquele chavão já muito usado e talvez, também,abusado, tem algum fundo de verdade, pergunto eu que gosto de perguntar coisas com intenção de me aperceber se isso do caminho da luz existe ou não.

    É este o chavão de que falo:
    "A mulheres dão sexo em troca de amor e os homens dão amor em troca de sexo"

    (será este mundo apenas e tão somente baseado numa troca de interesses? isso do amor não será pura utopia? algo criado pelo homem para disfarçar o que realmente quer e precisa, instintos básicos, quem sabe?...

    PS: os senhores da sotaina vivem num mundo à parte, penso eu, o mundo real não se compadece com vidas hermeticamente fechadas.

    Tenha um bom, dia, caro senhor Impontual :)

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    1. MM, gosto de pensar que as pessoas se dão e não dão algo. E nesse acto de dar-se (das pessoas em si) o amor é mais narcisista, mesmo quando se fala em “doação”. Sexo é mais democrático.

      Quanto à sotaina, como pode aconselhar os fieis recasados a “uma vida em continência”!? É inacreditável.

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    2. "Sexo é mais democrático" é muito bom :))

      (mas as pessoas ao se dar, estão a dar algo de si... pronto, agora baralhei-me)

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    1. ana ainda bem que veio. Queria muito fazer esta pergunta. Faço-a a si, porque sei que sabe que sou um amante lamentável. Acredita em algum destes binómios: o amor gera desejo - o desejo gera o amor?

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  6. Sexo sem amor é como comida sem sal. Claro que quando a fome é muita ... come-se.

    * Vivências de Amor - Volúpia Incerta *
    .
    Desejos de um dia feliz

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    1. Talvez possamos admitir que seja uma volúpia incerta.

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  7. Mais complexo o amor, sem dúvida. Por isso é maior o desafio, estou do lado dele. Nem sempre acaba mal, pode acabar só. Mais desafiante ainda, manter o desejo e o sexo vivo numa relação de amor (quanto mais longa, mais difícil).
    ~CC~

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    1. CC,
      Partilho dessa, diria quase utópica, idealização.

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  8. Se o amor fosse como o sexo, a maioria dos males da sociedade desapareciam. Mas eu sou um visionário. Tento nunca conspurcar a pureza do sexo com essa velha ironia chamada amor. ;)

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    1. Às nádegas tantas, o meu caro Patife é que está certo.

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  9. Que ideia peregrina esta a da igreja quer desinfectar as relações entre os casais. Enfim...

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  10. O desejo pode gerar amor, na medida em que a proximidade é passível de provocar a descoberta do outro, ou pode não o fazer pela mesma razão.
    O amor, para mim, não existe sem desejo.

    Quanto ao Sr. da sotaina, deve dormir de braços de fora das cobertas, com um cilício nas coxas.

    Beijos, Impontual :)

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    1. Basta ver-mos que de repente nos dá vontade de um abraço.

      Beijo, Maria - a castigadora implacável. (Cilício nas coxas!?)

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  11. O amor não interessa. O que importa são os arredores.
    Gaffe

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  12. sempre que leio sobre estes 2 lembro-me da música da Rita Lee.
    são tão bem descritos...

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