quarta-feira, 18 de abril de 2018

"Uma pestana branca no céu negro"

Não, não é ainda a inquieta
luz de Março
à proa de um sorriso,
nem a gloriosa ascensão do trigo,

a seda de uma andorinha roçando
o ombro nu,
o pequeno e solitário rio adormecido
na garganta;

não, nem o cheiro acidulado e bom
do corpo, depois do amor,
pelas ruas a caminho do mar,
ou o despenhado silêncio

da pequena praça,
como um barco, o sorriso à proa;

não, é só um olhar.


5 comentários:

  1. Não sou exactamente o que se possa chamar uma incondicional do Eugénio de Andrade, mas apetece-me dormir sobre este poema, como se fora palha quente :)

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  2. Muito bom :))

    Hoje:- O que a alma quer dizer.

    Bjos
    Votos de uma Óptima Quinta-feira

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  3. Ai, Sô Impontual, até fiquei sem palavras.

    Boa tarde

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  4. E eu estava certa, escolheu muito bem, Sr Impontual :)

    (e a moça gosta de colo, é verdade, às vezes preferia que não fosse só o da noite, mas o da noite é sempre íntimo e certo, sempre que de colo se precisa)

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