terça-feira, 16 de outubro de 2018

Orçamento do Estado

Tenho evitado pensar sobre a razão que me despertou para isso. Nunca dei grande atenção à politica; se há uma coisa a que não sou obrigado, enquanto criador é, sem dúvida, saber em profundidade o que o governo está a fazer. Para mim é muito mais interessante saber como transformar um pensamento numa imagem e depois a imagem em paredes que serão fortalezas e janelas largas que serão monóculos virados para o mundo, saber como pintar o céu sem usar o azul, erigir um jardim sem usar o verde, ali e acolá obter intencionalmente uma falsa perspectiva... alheando-me dos arrebatamentos insignificantes da política remodelada à força. Todavia, algo me está a incomodar, um ruído de angustia sob os sons nocturnos, vozes de burro a jogarem às escondidas, vozes de burros que se abeiram dos céus. Dos céus sem azul...

14 comentários:

  1. Ah, Impontual...que bem eu entendi a essência destas suas belas palavras.

    Vou confidenciar-lhe uma coisa: Sabe porque razão eu venho aqui beber dos seus escritos uma e outra vez? Porque, embora não sabendo colocar nas minhas palavras, a réplica daquilo que leio e entendo, nas suas, eu entendo-as bem.
    E, vá lá saber-se o motivo, comento apenas para que saiba que o li...

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    1. Janita, nem imagina quão honrosa é para mim a sua sempre tão assídua presença.

      (um dia há-de, de uma vez por todas, perdoar-me o sacrilégio e mau gosto de nem sempre me ser possível, por esta ou aquela razão, responder a quem cá vem comentar e que me merece o máximo respeito e apreço.)

      Um abraço.

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    2. Fica perdoado, a partir deste instante e de uma vez por todas, caro Impontual! :)

      Um abraço.

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  2. Eu adoro os anos eleitorais! Não seja desmancha prazeres...
    ~CC~

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    1. Mas meu caro, o orçamento é para o próximo ano (2019), precisamente o das eleições, certo? Uma coisa lhe digo, é difícil trabalhar anos e anos sem ver o seu salário actualizado nem um cêntimo...enquanto no mundo real os preços vão subindo e subindo...
      ~CC~
      ~CC~

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  3. Tudo o que fazes é político...
    Logo, afirmares que nunca deste grande atenção à política é, vejamos,

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    1. Eu ia negar tudo o que diz. Mas a Alexandra vai falar-me de individualismo. E não há inegável mais difícil de negar,

      ( reparou no pormenor da virgula final?)

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  4. Não falaria de individualismo, Man With a Chair, sim de negação (oops!).

    (bien sûr, Monsieur!)

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    1. Vê diferenças entre uma coisa e outra?

      (a propósito, quer ir ao cinema?)

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    2. não me apetece pensar nisso, tive um dia de trovoada que desabou inteirinha sobre a miha cabeça.

      (quero, Man Wuth a Chair, e obrigada pelo convite; as taças, levo eu, bem como um Riesling - monocasta -, que ando sempre a "vendê-lo" e só bebo este branco em ocasiões especiais, como esta, um convite de um conhecido-amigo-hóspede para ir ao cinema :))

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  5. Podem andar perto mas não chegam ao céu.

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