sábado, 9 de junho de 2018

Insónia

Bocarra aberta que aspira o vivente para depois expelir miséria. Sorvedouro. Tudo ali se transforma, o ar, o ruído, o grito. Tudo se apresenta, tudo se exalta. Indiferente, sem pudor, caminha sobre a sombra dos transeuntes como se tudo se espezinhasse. Lugar sem meio, migrante, flutuante ao sabor dos terminais do pensamento, ao sabor das horas e picos de reflexão, campo aberto onde se extasiam fragmentos. Queixume ininterrupto. Às vezes noite-encontro, os amantes nas suas caçadas esgueiram-se pelos becos sem saída, caricias dóceis, o esperma jorra, o prazer é tão curto.

4 comentários:

  1. Assombra e ensombra, a insónia...

    Beijos, caro Impontual :)

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  2. Curto, consumível... morre ao amanhecer.
    Belo texto!

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  3. Cada um tenta vencer a insónia - esse monstro assustador - como pode e mais lhe apraz.

    Fique bem, Impontual

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