quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Emulação

Enquanto a geração cabeça baixa tecla, posa, fotografa e volta a teclar fazendo chegar ao Mundo os seus mundos, faço um considerável recuo mental e dou comigo da idade deles, num tempo em que fervilhava em mim a mesma vitalidade que a borboleta deve sentir ao sair da crisálida. Em que o que queria era experimentar a embriaguez permanente que me permitia todas as audácias. Falar com raparigas, caminhar enlaçando-as pelos ombros, beija-las, acariciar os seus incríveis seios, introduzir a mão por baixo das suas saias perturbadoras e, quando a sorte me sorria, atingir realmente o fim, sentir a demasiado breve electrocussão que fazia de mim um homem e me autorizava, chegado o momento, a regressar a casa de cabeça erguida.

Por ora deixo-me com um pé no rio, um livro, dois de conversa para dentro, uma cerveja, a música no ouvido. 

13 comentários:

  1. Those were the days, oh yes, those were the days...:)

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  2. sem dúvida, partilhamos a mesma geração.

    um abraço, I.

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  3. Resta saber o que recordará esta geração quando tiver um pé no rio... o que ficará?

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  4. Não houvesse raparigas, recordaria o quê?

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    1. Noname, quer uma resposta subrepticia como a sua pergunta ou prefere uma resposta com um pe no rio?

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    2. Bom dia Sô Impontual
      A minha pergunta, é apenas curiosidade feminina, uma vez que, o sermos o eixo das vossas vidas, eu já sei :-)) Todavia a casa é sua, responderá como achar que deve, sendo uma mulher do norte aguentarei a pancada sem pestanejar. Que tal responder das duas formas?

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    3. Opto pela resposta de pé no rio. Nem sempre a curiosidade está acompanhada de maledicência.

      Um abraço ( ou uma pancadinha nas costas , se preferir).

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  5. Não me preocupo com esta geração, nem com a anterior a mim e muito menos me preocupo com a minha. Acho que as pessoas perdem demasiado tempo a olhar para o outro e para o seu pezinho no rio. Prefiro preocupar-me comigo, com as sensações do meu pé no tal rio e com o abraço quente que me toma por trás.
    Beijo :)

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    1. Não dei se não será preocupante essa despreocupação, Alexandra Alves.

      Outro Beijo.

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  6. Com um pé no rio estamos todos desde que nascemos... a imaturidade e depois as muitas distracções de vária ordem é que nos impedem de o sentir. E ainda bem que tudo deve chegar a seu tempo.

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