quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Motel

Chegara a um ponto em que percebeu com clareza que se enganara em todos os infinitos conjugáveis. Por isso não lhe restava outro consolo senão aproveitar a dádiva. Seria uma ladra. Iria roubar todos os beijos, todos os cheiros, todos os sabores, todos os segundos, a rolha do champagne e até aquelas notas de piano lentas e cavernosas que se soltavam  pelos altifalantes incrustados na cabeceira da cama queen size.

19 comentários:

  1. Ladra de finitos infinitamente, poder-se-á conjugar?
    Gosto dos finitos, os outros escapam-se-me em todas as conjugações ;)

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    1. A Olvido gosta é de infinitivos. Que se apresentem naturalmente, sem quaisquer conjugações. :)

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    2. Isso é, talvez, uma grande verdade, é a acção no essencial... o que é em si problemático, porque faz com que não haja tempo, ou noção dele, e parece-me que os meus infinitivos ( a serem como diz o Impontual a minha preferência) são pessoais, o que não ajuda à festa ;))

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    3. Olvido, não olvide os infinitivos pessoais compostos. Nem menospreze o verbo ter. Ok? :)

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    4. :))
      Ok, vou tentar Impontual ;)

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  2. Abençoada!! Faz ela bem...
    A Vida é um Ai Que Mal Soa...

    Boa tarde, Impontual!

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    1. Será por ser curta que se esconde nos infinitos inconjugáveis, Janita?

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    2. Claro, Impontual!
      Quem se mete a querer conjugar os infinitos, acaba por não chegar a conjugação alguma! Óbvio...

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    3. Então o que me diz é que o infinito é agora?

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    4. O infinito é como, quando e onde nós quisermos!

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  3. E o que melhor há para roubar? :)

    Agrada-me a leveza do instante. Tudo o resto pesa no corpo.

    Um abraço, I. :)

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    1. Às vezes um instante é uma vida inteira.

      Abraço.

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    2. Tudo depende de como sentimos esse instante.

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    3. Querida Alaska, conhece o soneto de Vinicius: "O verbo no infinito"?

      (dê especial enfoque ao último terceto)

      :)

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    4. Olhe lá, Impontual, deixe-me ser feliz e acreditar que tudo não passa de instantes aleatórios, sem significado. É nisso que preciso acreditar hoje. Mesma que esteja errada (e sei que estou). Há mentiras que ditas demasiadas vezes se transformam na única verdade.

      E sim, também gosto de si. :)

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  4. ...talvez seja melhor não conjugar e deixar andar até ver aonde dá...digo eu[risos]
    Boa tarde, Impontual

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    1. Sim, até porque há desígnios inconjugáveis.

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  5. se é para roubar, que seja por convicção. quando é por ser "o único consolo que resta" até o produto do furto é veneno.

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    1. Que seja por consolo no cárcere da convicção.

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